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“Se não existe, vou criar”: como nasceu a Goldie, onde os casais fazem as alianças um do outro Novo

por Victor Sermenho
29 out, 2026
Alianças em ouro são manuseadas durante as etapas finais do processo de fabricação. | Foto: Divulgação/Goldie

O negócio nasceu de uma inquietação com a forma tradicional de comprar alianças e transformou a fabricação das joias em um dia construído a partir da história de cada casal.

Na Goldie, cada pessoa fabrica a aliança que será usada pelo parceiro. As duas joias nascem da mesma barra de ouro e passam pelas mãos dos noivos até ficarem prontas. Mas, antes de chegar à bancada de ourivesaria, a experiência começa com a história dos dois.

Antes do ouro, a história do casal

Cada experiência começa antes da chegada ao ateliê. Dias antes do encontro, os casais recebem o chamado Mapa do Amor, um formulário desenvolvido para conhecer a trajetória dos dois.

As perguntas passam pelo primeiro encontro, pelo primeiro beijo, pelos momentos em que perceberam que estavam apaixonados, pelos sonhos já realizados e pelos planos para o futuro. As respostas ajudam a definir os detalhes que serão incorporados ao encontro no ateliê.

Quando o casal chega, encontra fotografias espalhadas pelo espaço, uma playlist com músicas importantes para o relacionamento e outros elementos definidos com base nas respostas do Mapa do Amor.

Cerca de uma semana antes, uma nova conversa ajuda a entender como os noivos desejam viver aquelas quatro horas. Já houve quem convidasse os pais para participar de determinada etapa, casais que decidiram fazer uma oração sobre o ouro e outros que preferiram reservar parte do tempo para ficar sozinhos. A empresa também se prepara para receber uma cerimônia civil dentro do próprio ateliê.

“A gente não parte de uma experiência pronta e tenta encaixar os casais nela. A gente conhece primeiro a história deles e, a partir disso, prepara a experiência para o casal”, explica a fundadora.

Casal participa do processo de laminação do ouro durante a experiência no ateliê. | Foto: Divulgação/Goldie

Casal participa do processo de laminação do ouro durante a experiência no ateliê. | Foto: Divulgação/Goldie

Após a experiência, casal exibe as alianças produzidas um para o outro. | Foto: Divulgação/Goldie

Após a experiência, casal exibe as alianças produzidas um para o outro. | Foto: Divulgação/Goldie


Quando o ouro começa a carregar uma história

Entre todas as etapas, o derretimento ocupa um lugar particular no encontro.

Antes de começar, os dois seguram juntos a barra de ouro. O casal fica abraçado e fecha os olhos enquanto a fundadora recupera acontecimentos que eles mesmos contaram semanas antes no Mapa do Amor.

Não há um roteiro genérico sobre amor ou casamento. A conversa pode voltar ao lugar onde se conheceram, a uma dificuldade enfrentada juntos, a uma promessa antiga ou a uma pessoa importante que já não está presente.

Em um dos casos lembrados pela fundadora, o casal havia se conhecido durante uma viagem com amigos. Ela sabia que o primeiro encontro aconteceu em um restaurante italiano e que a noiva chegou quase uma hora atrasada. Também conhecia dificuldades que os dois haviam enfrentado juntos e alguns dos planos que compartilhavam para o futuro.

Esses acontecimentos voltaram à conversa quando os dois seguraram o ouro que seria derretido.

Ouro é derretido durante uma das etapas de fabricação das alianças na Goldie. | Foto: Divulgação/Goldie

Ouro é derretido durante uma das etapas de fabricação das alianças na Goldie. | Foto: Divulgação/Goldie

Casal utiliza equipamentos de proteção durante uma das etapas práticas da fabricação das alianças. | Foto: Divulgação/Goldie

Casal utiliza equipamentos de proteção durante uma das etapas práticas da fabricação das alianças. | Foto: Divulgação/Goldie

A essa altura, as alianças ainda não existem. Há somente uma barra. É nesse momento que o material começa a assumir outro significado.

“Quando relembramos toda a história do casal, para eles aquele ouro já começa a carregar essa história”, explica Jessica.

A cena ocorre ainda nos primeiros minutos do encontro e, segundo ela, costuma ser um dos momentos de maior emoção.

Cada um faz a aliança do outro

Depois desse primeiro momento, começa o trabalho de ourivesaria. As duas joias começam na mesma barra de ouro. A partir dela, o casal acompanha a transformação do material durante aproximadamente quatro horas.

Os noivos participam do derretimento, da laminação e da modelagem do metal no formato dos dedos. Também participam da soldagem e trabalham nas etapas de acabamento e polimento.

Não é necessário ter experiência anterior com ourivesaria. Durante todo o processo, um ourives acompanha os participantes, orienta o uso das ferramentas e assume os procedimentos que exigem conhecimento técnico específico. Ao final, faz a revisão das peças e responde pelo padrão de acabamento das joias.

Segundo a Goldie, o ateliê utiliza ferramentas importadas de Taiwan e da França que permitem simplificar determinadas etapas para os participantes, mantendo o padrão técnico exigido para as peças.

A dinâmica também produz situações que vão além do trabalho manual. A equipe observa os casais se ajudando e brincando e, em alguns casos, percebe que um deles fica mais perfeccionista que o outro na hora de cuidar dos detalhes. A responsabilidade de fabricar algo que estará diariamente na mão do parceiro muda a maneira como os noivos se relacionam com cada etapa.

“Não é simplesmente fazer uma joia. É saber que aquela aliança vai estar na mão da pessoa que você ama todos os dias, durante muitos e muitos anos”, afirma.

Como nasceu a Goldie

A proposta de transformar a fabricação das alianças em uma experiência começou muito antes de Jessica Sarah criar a empresa.

A inquietação que daria origem à Goldie surgiu anos antes de Jessica pensar em casamento para si mesma. Aos 19 anos, enquanto caminhava pelo BarraShopping, ela começou a observar as vitrines das joalherias e percebeu como se repetiam as cores, a estética e a maneira de apresentar as alianças. Para uma joia destinada a acompanhar alguém diariamente durante décadas, aquela escolha lhe pareceu impessoal.

Naquele momento, ela nem namorava. Ainda assim, decidiu que, quando fosse se casar, não gostaria de simplesmente escolher um par de alianças em uma vitrine. Queria participar da criação. A ideia permaneceu guardada até que, anos depois, ao pesquisar alternativas no Brasil e não encontrar uma proposta semelhante, decidiu criar a Goldie.

“Foi daí que nasceu a Goldie. Basicamente, eu pensei: ‘se não existe, vou criar’”, conta.
Jessica Sarah, fundadora da Goldie, no espaço onde os casais participam da fabricação das alianças. | Foto: Divulgação/Goldie

Jessica Sarah, fundadora da Goldie, no espaço onde os casais participam da fabricação das alianças. | Foto: Divulgação/Goldie

A origem da empresa também passa por uma referência familiar. Seus avós permaneceram casados por mais de 50 anos e, mesmo depois da morte do marido, sua avó continuou usando as alianças do casamento. Para a fundadora, aquelas peças haviam acompanhado filhos, conquistas, dificuldades e diferentes fases de uma vida compartilhada.

Foi essa percepção que orientou o conceito da Goldie. Em vez de limitar o contato do casal à escolha da joia pronta, a proposta passou a incorporar a própria fabricação à história das alianças.

O ouro já chega com uma memória

A relação de Jessica com as alianças dos avós também encontra paralelo em uma situação vivida por alguns dos casais que chegam à Goldie: há noivos que levam joias antigas da própria família para avaliar a possibilidade de reaproveitar o ouro.

O material passa primeiro por uma análise técnica para verificar sua composição e entender se pode ser utilizado com segurança. Quando o reaproveitamento é possível, o metal de uma peça guardada durante anos pode ganhar nova forma nas alianças do casal.

Pode ser uma joia que pertenceu aos avós, uma aliança dos pais ou outro objeto associado a alguém importante da família.

“Acho que o mais bonito nesses casos é perceber que a história daquele ouro não está começando ali. De certa forma, ela está continuando.”

De acordo com Jessica, a transformação permite levar uma memória familiar para uma nova etapa. O metal muda de forma, mas permanece ligado à história que o antecedeu.

Beleza e significado entram na mesma escolha

Ao acompanhar os casais, a Goldie também percebe uma mudança na maneira como muitos noivos se relacionam com as alianças.

Design, conforto, acabamento e qualidade permanecem entre os critérios de escolha. Na percepção da empresa, porém, há uma procura crescente por peças associadas a experiências e histórias pessoais.

Em um cenário no qual praticamente qualquer produto pode ser adquirido rapidamente pela internet, a fundadora acredita que parte dos casais passou a procurar algo que não termine no momento da compra.

Na Goldie, o processo também é registrado por um fotógrafo profissional, que acompanha a fabricação e os momentos vividos ao longo do encontro. Alguns noivos utilizam essas imagens posteriormente como ensaio pré-wedding.

Durante as pausas necessárias ao trabalho com o ouro, os casais participam de um brunch. Ao final, o encontro termina com um brinde com champanhe.

Décadas depois, a expectativa da fundadora é que a lembrança não esteja somente na fotografia ou no desenho da joia. Estará também na própria rotina, quando o casal olhar para as mãos e reconhecer ali uma peça que ajudou a fabricar.

A ideia, segundo ela, é que a aliança continue sendo uma joia de qualidade, mas carregue também a lembrança do dia em que cada um participou da criação da peça que o outro passou a usar.

Quer conhecer outros profissionais e empresas que ajudam a transformar o casamento em uma experiência única? Acesse o Guia de Fornecedores e acompanhe o Instagram da Inesquecível Casamento para descobrir referências, histórias e novidades do mercado.

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Victor Sermenho

Victor Sermenho

Victor Sermenho é jornalista, formado pelo Centro Universitário IBMR. Atua na produção de conteúdo, com experiência em reportagem, entrevistas, produção e edição audiovisual. Apaixonado por histórias, cultura e comunicação, acredita no jornalismo como ferramenta para contar narrativas que aproximam pessoas e despertam novos olhares.
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